Disse me disse!


Uma das características das eleições no interior é o disse me disse, isto é, a fofoca, o mexerico, os boatos, o falatório. Utilizando-se da falta de informação da maioria da população. Implanta-se noticias com o objetivo de atingir o adversário e espalhar um clima de incerteza. Essa tática é velha e tem um nome – mal politica ou politicagem. Diante disso se percebe que a regra das eleições no interior é não ter regra. A palavra de ordem é vale tudo – tudo para se ganhar a disputa. E nesse sentido o disse me disse é uma arma fundamental. Sobretudo no interior onde o boca a boca ainda é mais forte que qualquer rede social.
É incrível como diariamente surge um novo boato – é a candidatura de fulano de tal que foi impugnada pela justiça, é uma pesquisa (fictícia) que dá conta da liderança de um determinado candidato, são ameaças de retirada de direitos, são promessas mirabolantes de modernização da cidade e por ai vai. E o disse me disse rola solto.
Hum, fulano de tal falou isso e aquilo.
É. Sicrano disse poucas e boas.
Tais boatos não surgem do nada. É fato que nosso povo é bastante criativo, mais daí inventar essas estorinhas do nada, sem nenhum objetivo, eles não fazem. O disse me disse é implantado e tem um objetivo claro – atingir o adversário de uma das formas mais vil possível. Isto é – mentindo, caluniando, difamando. Ora, quem se utiliza desse tipo de tática mostra se não fraqueza. Incapacidade de combater com ideias e projetos o adversário.
E não são poucos os candidatos que se utilizam dessa prática. Implanta-se no seio do povo um boatinho de nada e logo, logo o disse me disse irá transforma-lo em um fato verdadeiro. E através do boca a boca que é muito eficaz no interior, mais eficaz que watsapp, que facebook, que qualquer rede social – a cidade toda ficará sabendo em poucas horas da novidade. E depois que o disse me disse se espalha é difícil reverter o estrago que ele faz por onde passa. O que se faz geralmente é criar outro boato para tentar desmentir o anterior. E a eleição se transforma então numa guerra de disse me disse – quem for mais eficaz na criação e na propagação desses boatos com certeza levará a eleição. Mas essa realidade pode mudar, sobretudo a partir do momento que a população tomar consciência que esta sendo usada nessa correia de transmissão de boatos.
Que candidatos e seus correligionários se utilizem desse tipo de artificio para ganhar uma eleição é até compreensível. Ora, não se pode esperar de políticos medíocres se não mediocridade. Agora a população se deixar levar por esse disse me disse ai é inaceitável. Sobretudo por que hoje em dia qualquer informação a cerca das eleições e de candidaturas pode ser facilmente acessada no site do tribunal superior eleitoral – perfil dos candidatos, programa de governo, financiamento, situação junto à justiça. São informações que podem ser acessadas por qualquer pessoa. Até mesmo de um celular que tenha acesso a internet. É fato que boa parte da população ainda não tem clareza a esse respeito. E mesmo aqueles que têm acesso à internet não a utilizam como deveriam – buscando informações na fonte e não reproduzindo boatos. Que essas breves linhas possam contribuir minimamente para que comecemos a superar o disse me disse da politica interiorana. E com isso os maus políticos que se utilizam dessas táticas.

Pedro Ferreira Nunes - é Educador Popular e militante do Coletivo José Porfírio

Nenhum comentário:

Postar um comentário