sexta-feira, 27 de outubro de 2017

“... O planeta está imaturo. É preciso arrancar alegria ao futuro”.


Estes versos do poeta da Revolução de Outubro – Vladimir Maiakóvski – faz parte do poema “Carta a um jovem suicida” escrito em memória da morte do também poeta Serguei Iessiênin – que tirou a própria vida no final do ano de 1925. Olhando para os nossos dias, esses versos nunca pareceram tão atual. E são eles que me vem agora na cabeça quando recebo a noticia da morte de uma jovem camarada que decidiu se suicidar.
Não a conheci pessoalmente, apesar de termos ingressado no mesmo ano na UFT (2015). Ela no curso de Jornalismo e eu no de Filosofia. E desde então sempre nos esbarrávamos no trajeto para o campus da UFT em Palmas ou nos corredores da Universidade. Mas nunca trocamos um cumprimento se quer. No entanto eu sempre a admirei, ainda que nem se quer soubesse qual era o seu nome – de onde vinha, qual a sua origem.
A primeira coisa que me chamou atenção nela foi sua beleza negra, o seu olhar e um sorriso marcante. Depois a vi cantando e me encantei pela sua voz. E por fim a vi na linha de frente da ocupação do bloco da reitoria da UFT e passei a admirar a grande militante das causas sociais que era ela.
Por tudo isso, mesmo que nunca tenhamos trocado um aceno – e que eu se quer soubesse o seu nome – foi com grande tristeza que recebi a noticia da sua morte e senti profundamente sua perda tal como se tivesse perdido alguém muito próximo de mim. E de certa forma éramos. Éramos companheiros de luta – ainda que atuávamos em frentes diferentes. E quando uma camarada que luta contra as injustiças e pela emancipação dos oprimidos se vai – um pouco de nós se vai também. Porém precisamos continuar.
E é por isso que evoco nesse momento os versos de Maiakóvski a Iessiênin. São versos que no final das contas não é para quem cometeu o suicidou, mas para quem ficou. Para aqueles que pensam trilhar o mesmo caminho. Maiakóvski diz: “nessa vida morrer não é difícil, o difícil é a vida e o seu oficio”. Mas apesar de difícil deve ser levada adiante mesmo diante do caos que nos ameaça engolir. Sendo assim, em vez de se desesperar devemos “arrancar alegria ao futuro”. Sobretudo nós que dedicamos nossas vidas pela causa da liberdade e que passamos por um período nem um pouco animador.
Pedro Ferreira Nunes – é Poeta e Escritor Popular Tocantinense.

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