Crônica: A cidade das mulheres sem coração

Em Lajeado não é difícil encontrar essas mulheres, elas estão em cada esquina, em cada bar, em quase todas as casas. O município que é conhecido como a cidade das águas poderia muito bem receber o titulo de “a cidade das mulheres sem coração”. O que teria acontecido para que estas mulheres se tornassem pessoas assim? Sem coração. Quem os arrancou? Por que fizeram isso?

Para compreender esse fenômeno das mulheres sem coração no interior do interior do Brasil é preciso entender a dura sina dessas que ainda quando meninas são obrigadas a se tornar mulher. Nem bem saíram da infância e já começam a se relacionar sexualmente com um homem. Se apaixonam, casam, saem da casa dos pais e ficam grávidas. Muitas vezes essa ordem se inverte. Engravidam quando ainda esta namorando, dai são obrigadas pelos pais a se casarem, tornam-se por tanto donas de casa e deixam os estudos de lado. 

Essa jovem que é obrigada a virar mulher prematuramente logo percebe que não é fácil a vida a dois. O sonho da infância de encontrar o príncipe encantado e com ele viver tal como nas estórias de contos de fadas que ouvia quando criança ou nas estórias de amor dos filmes e novelas, que sempre tem um final feliz, esta longe de ser a sua realidade.

As brigas passam a fazer parte do seu cotidiano, seu companheiro chega tarde em casa e quase sempre alcoolizado. Este procura descontar na esposa suas frustrações diárias. Assim aos trancos e barrancos essa jovem tenta levar a vida de casada, no entanto a violência domestica a cada dia só aumenta, até que um dia ela não aguenta e põem as duras penas um ponto final nesse relacionamento.

A cultura patriarcal e machista enraizada na nossa sociedade faz com que o fim deste relacionamento não seja tão pacifico. Geralmente o homem com o sentimento de posse da mulher não aceita que ela o deixe e não raramente a família também não apoia a separação, mesmo tendo consciência da condição humilhante em que vive a jovem. Muitas vezes o final desse relacionamento pode terminar em tragédia.

Mesmo após uma dura experiência a jovem ainda guarda no coração a esperança de encontrar o príncipe encantado, e assim apaixona-se novamente, joga-se nos braços de outro amor, mas novamente o que encontra é desilusão. 

De relacionamento em relacionamento, de frustrações em frustrações o seu coração vai sendo destruído. Chega então o dia que ela já não acredita no príncipe encantado, não acredita mais no amor. E então toma uma decisão, de não mais acreditar em homem algum. E começa a fazer o que sempre fizeram com ela – usa-los, engana-los e trai-los. Descobre então que é assim que os homens lhes dão valor. 

Elas aprenderam as duras penas que a vida não é um conto de fada, nem muito menos um romance de cinema ou de telenovelas. E assim se tornam mulheres sem coração – que não acreditam mais no amor e muito menos na felicidade. No melhor estilo punk rock, ala Sex Pistols: “I got no feelings, a no feelings, a no feelings. For anibody else, except for myself...”. (Eu não tenho sentimentos, sem sentimentos, sem sentimentos. Por ninguém mais, exceto por mim mesmo...).  

As mulheres sem coração fará com que você fique sem coração. Por tanto, pobre do diabo que cair nas mãos de uma mulher sem coração. Sofrerá, sofrerá bastante. Ela tirará seu coro, arrancará seu coração – batera-o no liquidificador e tomará. Por tanto quando fores tirar o coração de uma mulher, pense duas vezes, pois como nos alerta a bela letra da banda punk brasiliense Plebe Rude. “o que se faz se paga, o que se faz aqui. Os danos nos seus rastros, não deixa de existir...”. 

Pedro Ferreira Nunes é – É “apenas um rapaz latino americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importante e vindo do interior”.

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