sábado, 20 de junho de 2026

Comentários sobre a Pré-campanha para as eleições de 2026 no Tocantins

Desde os meus últimos comentários acerca da conjuntura política no Tocantins dominada pelas articulações para a campanha eleitoral de 2026 aos cargos de Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador, Governador, Vice Governador, Presidente e Vice Presidente. Nada de significativo aconteceu. Sobretudo no sentido que possa mudar o cenário eleitoral projetado. Mas tendo em vista que estamos caminhando para finalizar a fase da pré-campanha, marcada por articulações com vista ao fortalecimento dos grupos em contenda, cabe alguns comentários.

Disputa ao Governo

Durante a pré-campanha temos visto a consolidação da candidatura da Senadora Dorinha (União Brasil) para o Governo do Tocantins apoiada pelo atual governador Wanderlei Barbosa. Com uma grande estrutura e um amplo apoio por parte de gestores municipais (prefeitas e prefeitos) não tem deixado brecha para a oposição crescer. Ainda mais agora que o seu principal cabo eleitoral (o Governador Wanderlei Barbosa) parece ter compreendido o seu papel no processo. Na oposição, o Deputado Federal Vicentinho Jr. (PSDB) se consolida como a segunda força no processo eleitoral, com a difícil tarefa de levar o pleito ao segundo turno. O Vice Governador Laurez Moreira (PSD) coloca-se como uma terceira via, que dependendo do desempenho, pode contribuir para que a eleição ao governo siga para o segundo turno. Diante disso podemos dizer que há uma estabilização das três principais candidaturas ao governo do Tocantins.

Um cenário parecido com as eleições a prefeitura de Palmas em 2024

Ao se confirmar esse cenário teremos na disputa estadual um cenário muito parecido com as eleições para a prefeitura de palmas em 2024 quando Janad Valcari (PL), Junior Geo (PSDB) e Eduardo Siqueira Campos (Podemos) despontaram na preferência popular levando a disputa ao segundo turno com vitória daquele que no início da campanha era tido como uma terceira via apesar de toda a sua história como ex-prefeito da capital, senador, deputado e secretário de Estado. Essa similaridade certamente anima Vicentinho e Laurez. Mas é preciso entender que uma eleição na capital tem uma dinâmica totalmente diferente de uma eleição estadual. Não vou aqui citar exemplos do que já ocorreu no próprio Tocantins como também em outros Estados como Goiás, Pernambuco e São Paulo. Quem estuda ou milita na política partidária certamente sabe do que estou falando.

Á disputa pelo Senado

Aqui temos uma disputa em aberto, sobretudo pela segunda cadeira. Já que a primeira dificilmente será tomada do Senador Eduardo Gomes (PL). Logo esse é o nome mais estável na disputa. Outros nomes consolidados na disputa são o do Senador Irajá Abreu (PSD) e do deputado federal Alexandre Guimarães (MDB). Já as candidaturas ao senado dos deputados federais Gaguim (União Brasil) e Eli Borges (PL) aparentemente não ganharam potência. A novidade aqui fica por conta da desistência do ex-governador Mauro Carlesse (PSD) e da entrada na disputa do ex-prefeito de Araguaina Ronaldo Dimas (Podemos). A desistência do primeiro não traz um grande impacto, mas o ingresso do segundo sim. Pois a mesma tem potencial eleitoral, tanto na capital como na região norte do Estado.

Á disputa por uma cadeira na Câmara dos deputados 

A continuar o que está desenhado teremos uma mudança significativa dos nomes que ocupam as oito cadeiras que o Tocantins possui na Câmara dos Deputados. Toninho Andrade irá disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Vicentinho Jr. disputará o governo estadual. Alexandre Guimarães irá disputar uma cadeira no senado. Gaguim e Eli Borges também tem pretensão de disputar uma vaga no senado. Com isso restariam apenas três nomes tentando a reeleição (Ricardo Ayres, Filipe Martins e Tiago Dimas). Quais os nomes teriam condições de substituí-los? Por enquanto a Deputada Estadual Janad Valcari se destaca como uma das favoritas juntamente com nomes como o também Deputado Estadual Jair Farias (União Brasil) e o Professor Fábio Vaz (Republicanos). Esses três na base da Senadora Dorinha que provavelmente terá maioria também nas eleições proporcionais, tanto para câmara dos deputados como para a assembleia legislativa.

Na assembleia legislativa

Com alguns nomes da atual legislatura também se aventurando a outros cargos certamente teremos mudança na casa de leis estadual. No entanto, ao meu ver, em menor proporção. De modo que nos resta aguardar para ver quem serão.

E a esquerda como fica?

A maior força do campo na esquerda no Tocantins é sem dúvidas o Partido dos Trabalhadores (PT) - esquerda establishment como diz o filósofo Paulo Arantes. Mas sem nenhuma força de interferir no cenário estadual, mesmo sendo o partido do atual presidente da república (Luiz Inácio Lula da Silva). Tanto que ao invés de construir um projeto progressista a tendência é aliar-se com o grupo liderado pelo Senador Irajá Abreu e o Laurez Moreira tendo como estratégia viabilizar um palanque para a candidatura à reeleição do Lula. E quem sabe eleger algum nome para o parlamento estadual e federal. O que podemos deduzir dessa estratégia é que há mais preocupação por cargos, no Estado, do que com a possibilidade de construção de uma alternativa ao domínio da direita na política tocantinense.

Para concluir 

A fase da pré-campanha para as eleições de 2026 no Tocantins segue para consolidar o cenário que se desenhou já no seu início, tanto para os cargos majoritários como para os cargos proporcionais. A não ser que haja a intervenção de um Deus Ex Machina (o que não seria nenhuma surpresa levando em consideração o histórico da política estadual) mudando o cenário. Agora é aguardar as convenções que oficializaram os nomes postos e tirar as dúvidas acerca de alguns nomes postulantes ao senado. E a partir daí observar a capacidade daqueles que estão à frente (os nomes da situação) de manter ou ampliar a vantagem. E os demais, sobretudo no caso do cargo a governador/governadora, levar a disputa para o segundo turno - o que já seria uma grande vitória. No caso da esquerda é ver em que medida a estratégia adotada contribuirá para a reeleição do presidente da república  e a eleição de nomes do campo progressista para o parlamento.

Pedro Ferreira Nunes - Mestre em Filosofia, Especialista em Filosofia e Direitos Humanos e Graduado em Filosofia. Atua como Professor no CEMIL Santa Rita de Cássia.

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