Como pode pesquisas realizadas no mesmo período, no mesmo território chegar a resultados distintos? Será se são feitas com rigor científico ou de acordo com o gosto do cliente? Há que se levar em consideração que o objeto em análise é o ser humano que não é estático como uma pedra. Por isso é importante, para quem quiser fazer uma análise séria da conjuntura, observar todos os dados que a pesquisa fornece. Sobretudo aqueles que não são importantes à primeira vista. Nessa linha quanto às pesquisas feitas no Tocantins observamos algo que os analistas políticos não levaram em consideração e que na minha visão é importante - a distância entre o primeiro e o segundo colocado. As pesquisas divulgadas têm divergido quanto a quem está na frente da disputa, mas em relação à distância de um para outro não. Logo podemos afirmar que por mais questionáveis que sejam as pesquisas. Elas apontam para um inevitável 2º turno. Já havíamos falado dessa possibilidade durante a pré-campanha. Mas agora esse cenário parece irreversível. Parece também que não há espaço para uma terceira via, tanto ao governo estadual quanto ao federal. Já em relação à disputa pelo senado, que necessariamente será decidida no primeiro turno, o questionamento é saber quem se beneficiará com uma disputa entre tantas candidaturas competitivas - temos, por enquanto, uma disputa totalmente em aberto.
Diante de tudo isso, o cenário é o seguinte: teremos um resultado apertado tanto na corrida pelas duas cadeiras em disputa ao Senado, ao Governo Estadual e à Presidência da República. E é com esse cenário que a campanha tem tomado as ruas com os candidatos buscando unir o máximo de gente possível para mostrar força e atrair os indecisos. No interior, a estratégia mais vitoriosa é obter o apoio de quem está na Prefeitura e Câmaras de Vereadores - estes com toda a sua influência política garantiram não apenas um palanque, mas também muitos votos. Como contrapartida, esses líderes municipais terão apoios nas eleições municipais que ocorrerão futuramente. Na capital também não é tão diferente. O prefeito Eduardo Siqueira Campos já deixou claro que será candidato à reeleição e certamente espera contar com o apoio daqueles que está apoiando.
No Tocantins os dois candidatos que polarizam a disputa ao Governo do Estado, Dorinha e Vicentinho, têm focado suas campanhas em apresentar propostas para os problemas regionais, sobretudo com foco na melhoria dos serviços públicos (saúde, educação, segurança pública, melhoria da infraestrutura e valorização salarial dos servidores). Evitam claramente se posicionar em relação à disputa nacional. Talvez sejam obrigados num segundo turno. Laurez, que não tem muito a perder, aposta numa ligação com a candidatura do Presidente Lula à reeleição, mesmo sendo de um partido que tem a candidatura do Ronaldo Caiado (PSD). No entanto, historicamente, o Tocantinense e o brasileiro no geral não seguem uma lógica partidária ou ideológica na hora de votar. Votam num deputado estadual de uma coligação, num deputado federal de outra, num senador de outra e daí por diante. O que o move, no geral, é o pragmatismo político.
Em relação a disputa nacional o Partido dos Trabalhadores (PT) tem conseguido levar a melhor nas disputas eleitorais no Tocantins, mesmo quando o candidato do partido não era o Lula. E o que as pesquisas apontam na atual conjuntura é de que não será diferente. No entanto nos grandes municípios a tendência é outra. Diante disso, essa vantagem não será tão grande. E não refletirá na eleição de candidatos petistas ao parlamento estadual e federal. No entanto, há uma novidade esse ano que devemos avaliar depois a sua efetividade - o movimento capitaneado pela Kátia Abreu - responsável por coordenar a campanha à reeleição do candidato petista à presidência da república. O candidato bolsonarista por sua vez se apoia nas igrejas evangélicas que tem uma influência considerável na política tocantinense - uma influência crescente.
O papel de coordenadora da campanha à reeleição do Presidente Lula dá a oportunidade da Kátia Abreu a voltar a ter alguma relevância na política estadual. Caso o presidente seja reeleito é de se imaginar que ela pessoalmente, mais do que o próprio PT, será a grande vitoriosa. Tendo um papel importante na indicação de nomes para os cargos nos órgãos federais no Tocantins. E inclusive podendo assumir alguma função na esfera federal.
Concluímos ressaltando que quanto mais próximo chegarmos da eleição mais tensionado ficará a disputa. Já observamos alguns ataques diretos entre as partidas em contenda. Sem falar do espectro da corrupção que é uma ameaça permanente. A bola da vez é o caso do banco master. Em que medida esse escândalo poderá impactar campanhas de norte a sul do Brasil? Aguardemos.
Pedro Ferreira Nunes - Graduado em Filosofia (UFT). Especialista em Filosofia e Direitos Humanos (UNIFAVENI). Mestre em Filosofia (UFT). Atua como Professor na Rede Pública Estadual de Ensino do Tocantins.






