Hegemonia da Direita
A direita continua sendo a força hegemônica. Tanto que entre os quatro principais nomes que lançaram pré-candidaturas todos são desse campo politico (Dorinha - União Brasil, Vicentinho - PSDB, Laurez Moreira - PSD e Ataides Oliveira - Novo). O mesmo pode ser dito dos pré-candidatos ao senado (Eduardo Gomes - PL, Irajá Abreu - PSD, Alexandre Guimarães - MDB, Gaguim - União Brasil, Eli Borges - Republicanos, Mauro Carlesse - PSD). De modo que só resta ao campo progressista vislumbrar alguma cadeira na Câmara dos deputados e na Assembléia Legislativa.
Fragmentação Política
Não é a primeira vez que há uma fragmentação política refletida em várias pré-candidaturas ao governo. O que mostra a falta de uma liderança política capaz de construir consensos. Tal liderança era esperada do governador Wanderlei Barbosa. No entanto sua postura desde o seu retorno após o afastamento do cargo tem sido outra.
Ressentimento
O governador Wanderlei Barbosa tem atuado politicamente com ressentimento. Alguém que atua a partir desse lugar acredita que está sendo injustiçado. E a partir daí acaba se comportando de uma forma irracional - colocando o sentimento á frente da razão. E com isso suas decisões acabam surtindo um efeito contrário. Ao invés de aproximar, afasta as pessoas. E isso leva a mais ressentimento. Nesse ciclo vicioso a única saída é fazer circular outros afetos. Ou se não o apoio do governador ao invés de um trunfo pode se tornar um peso difícil de carregar.
A quem interessa a fragmentação política
Ainda há muito até as convenções partidárias. Mas ao que nos parece é irreversível que as pré-candidaturas postas ao governo recuem. Ainda que sabemos que no final das contas a disputa ficará entre duas. Até lá essas forças políticas precisam se questionar a quem interessa a fragmentação. Sobretudo quando o eleitorado tende a se engajar numa disputa polarizada entre duas forças. Talvez a resposta para essa pergunta só será possível após o pleito eleitoral.
A quem interessa a fragmentação política II
Nos parece que no que se refere a disputa pela cadeira de governador a fragmentação política favorece ao candidato mais bem colocado na intenção de votos. Que segundo as pesquisas sérias é a Senadora Dorinha (União Brasil) - que inclusive é a pré-candidata apoiada pelo governador Wanderlei - que tem um governo bem avaliado pela maioria da população que vive no Tocantins. Os demais pré-candidatos dividirão os votos da oposição e dos descontentes com o governo. Ou seja, não terão vida fácil, já que nos seus anos de governo Wanderlei praticamente não teve oposição. E as dissidências são mais por iniciativa do próprio governador do que do contrário.
A quem interessa a fragmentação política III
Ainda sobre essa questão nos parece que a fragmentação política no que se refere a disputa pelas duas cadeiras no senado federal em disputa favorece a oposição. Lembram quando o Irajá Abreu (PSD) foi eleito? Foi exatamente aproveitando uma disputa fragmentada em que ele saiu numa chapa encabeçada pelo Marlon Reis - que era uma terceira alternativa. Dessa vez o senador Irajá pode novamente ser eleito nesse contexto de fragmentação ou o Alexandre Guimarães.
Um nome a ser observado
Comecei falando que não ha novidade na política tocantinense. Isso porque as novas figuras que surgem não apresentam nada de novo. Ou seja, o surgimento de novas figuras não significa uma mudança de paradigma. Esse é o caso do deputado federal Alexandre Guimarães que agora se lançará ao senado. Apesar disso é importante observarmos os seus movimentos. Para mim nessa pré-campanha ele é o grande vitorioso. A articulação com o deputado federal Vicentinho e sobretudo o ingresso do presidente do legislativo tocantinense (Amélio Caires) e a composição da chapa oposicionista encabeçada pelo Vicentinho é mérito do Alexandre Guimarães - que caso seja eleito, e essa possibilidade é real, certamente se colocará nas eleições futuras como candidato ao Palácio do Araguaia Governador José Wilson Siqueira Campos.
Eduardo Gomes imbatível?
Ao que nos parece há apenas uma vaga em disputa para o senado nas eleições desse ano. A outra acreditamos que só uma tragédia para tirar das mãos do senador Eduardo Gomes (PL). Sobre isso não há muito o que dizer. Só reconhecer o importante trabalho de base que ele faz nas prefeituras do interior. Ousaria dizer que ele será o candidato com mais apoio nas pequenas e médias cidades do Tocantins. E isso fará com que ele seja um campeão de votos. Isso independente do apoio do governador.
Laurez ladeira abaixo
Aquele que pretendia se colocar como uma alternativa ao candidato ou candidata do Palácio Araguaia está indo de ladeira abaixo. Cíntia Ribeiro percebeu bem isso e, mesmo magoada com a perda do comando do PSDB no Tocantins, decidiu continuar na legenda e consequemente apoiar o projeto capitaneado pelo Vicentinho, Amélio e Alexandre. Para mim o maior exemplo dessa bancarrota é a entrada do Carlesse na sua composição como futuro candidato ao senado. Não vou falar aqui da ficha corrida do ex-governador. Quem não o conhece que o compre.
Preciso finalizar
Dos nomes que estão postos ao que me parece o do Laurez é o que pode oferecer um palanque para o Presidente Lula no Tocantins. Sobretudo pela proximidade do Irajá com o petista. Por outro lado o PSD pretende bancar a candidatura do Ronaldo Caiado. Ou seja, temos um problema ai. Dorinha com Eduardo Gomes provavelmente deverá apoiar Flávio Bolsonaro. Ideologicamente Vicentinho Júnior certamente vai de Flávio Bolsonaro. Mas sua legenda tem pretensão de lançar o Ciro Gomes. Ataides do Novo, que só citei aqui por citar, já que politicamente no Tocantins ele é um nada. Também ideologicamente irá de Flávio Bolsonaro. Diante disso só resta ao presidente Lula contar com um palanque dos movimentos sociais. E ele terá. Mas será que esses movimentos terão força de não só elege-lo mas também de eleger nomes para a assembleia legislativa e para o congresso nacional?
Pedro Ferreira Nunes - Mestre em Filosofia, Especialista em Filosofia e Direitos Humanos e Graduado em Filosofia. Atua como Professor no CEMIL Santa Rita de Cássia.
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