quinta-feira, 25 de junho de 2026

Hasta siempre, Comandante Ramiro Valdés Menéndez

Soube por meio dos meios de comunicação da morte do Comandante Ramiro Valdés Menéndez um dia após a derrota (nas eleições presidenciais na Colômbia) de Ivan Cepeda. A tristeza que estava sentindo aumentou mais ainda com a chegada da extrema direita no comando Político da pátria de Manuel Marulanda. Então acendi um charuto, tomei uma dose de conhaque e fiquei pensando na morte do Comandante da Revolução e no destino da nossa américa latina.

Ao lado dos seus companheiros (Fidel, Raul, Ernesto Che Guevara, Camilo, Almeida entre outros)  Ramiro Valdés fez um dos feitos que marcou a história mundial e da américa latina no Século XX - a Revolução Cubana - que alimentou (e alimenta) no  mundo inteiro o sonho dos povos que lutam por soberania. E a tantos outros que acreditam na possibilidade de um modelo de sociabilidade em que a solidariedade e o bem comum sejam o seu fundamento.

Na juventude me interessei sobremaneira pela revolução cubana e seus personagens - em especial pela figura icônica de Ernesto Guevara - O Che. A partir daí cheguei aos demais personagens. Sobretudo aqueles não tão conhecidos como o Ramiro Valdés. Ramiro fez parte do grupo liderado por Fidel Castro que assaltou o Quartel Moncada, que o levaria aos 21 anos de idade para prisão (a ação deu origem ao Movimento 26 de julho que levou “os barbudos” - como eram apelidados ao poder). Anistiado pelo governo corrupto e lacaio dos Estados Unidos, devido a pressão popular, juntou-se no México a Fidel, Raul e companhia - onde planejaram e organizaram a guerra de guerrilhas que teve início com o desembarque do iate granma em dezembro de 1956. Tendo sobrevivido ao ataque inicial partiu com seus companheiros para a Sierra Maestra onde construíram o quartel general da guerrilha que, a partir dali, expulsaria o ditador Fulgencio Batista e iniciaria uma experiência de governo inspirada no socialismo. 

Durante a luta guerrilheira Ramiro Valdés foi se destacando por sua coragem e liderança. Inicialmente fazia parte da Coluna 1 comandada por Fidel Castro. Posteriormente foi deslocado para Coluna 8 (Coluna Ciro Redondo) comandada pelo Che Guevara, onde ocupava o posto de segundo chefe. Essa coluna foi a responsável por tomar Santa Clara e dar o golpe final na ditadura comandada por Fulgencio Batista.

Após a formação do novo governo, enquanto Comandante da Revolução, Ramiro Valdés ocupou diferentes cargos no primeiro escalão do governo revolucionário (Ministro do Interior, Ministro da Informática e das Comunicações, Vice Ministro das Forças Armadas Revolucionárias e Vice Primeiro Ministro). Mantendo-se fiel ao regime cubano até sua morte aos 94 anos.

Como todo ser humano, ainda mais aqueles que chegaram aonde ele chegou, não deixa de ter as suas contradições. Longe de mim querer minimizar os possíveis excessos cometidos por ele assim como os equívocos do regime. Mas precisamos entender o contexto em que ele se formou e se forjou. Não foi um intelectual como Che Guevara, nem se destacou pela oralidade como Fidel Castro. Fora sobretudo um homem de ação. E assim se tornou Comandante da revolução - um título ao qual um grupo seleto de guerrilheiros alcançou tais como os já citados aqui: Fidel, Raul, Che Guevara, Camilo Cienfuegos e Almeida.

A partida do Comandante Ramiro se dá num momento em que o regime está sob uma ameaça que talvez nunca tenha estado. É fato que desde que a revolução triunfou seguindo uma linha contrária aos interesses dos Estados Unidos uma crise permanente se instalou. Crise que se intensificou com o fim da URSS. No entanto, contra todos os prognósticos o regime foi sobrevivendo - sobrevivendo mesmo após a morte do Fidel e o afastamento do Raul Castro. Mas agora parece atravessar o seu momento mais crítico. Até quando resistirá?

Quando vejo o avanço da extrema direita chegando ao poder político em países como Argentina, El Salvador e agora na Colômbia e no Peru, não há outro afeto que me toma a não ser a tristeza. Como é possível que a população desses países apoiem por meio dos seus votos as figuras mais abjetas que existem? Figuras essas que desprezam os direitos humanos, destroem as políticas de proteção social e entregam as riquezas naturais ao grande capital.

Um movimento totalmente contrário ao que nos legou a revolução cubana - mesmo com todas as contradições. Entre os seus legados destacamos o direcionamento do conhecimento científico para o bem comum e a solidariedade por meio das brigadas de médicos atuando em vários cantos do mundo. 

É nesse contexto que não posso deixar de me entristecer. Ainda que compreendo a necessidade de mudanças que proporcionem uma melhor qualidade de vida ao povo cubano. Essa melhora certamente não será feita pelos gângsteres que vivem em Miami que sonham em transformar a ilha novamente num cassino. Ainda que isso ocorra, a memória do que fez Ramiro jamais será apagada. Por isso concluo. Hasta siempre, Comandante Ramiro Valdés Menéndez.

Por Pedro Ferreira Nunes – um rapaz latino americano que gosta de ler, escrever, correr e ouvir Rock in Roll.

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