terça-feira, 30 de junho de 2026

Fala sobre a importância da educação antirracista na culminância das embaixadas culturais do Projeto Africanidades e Dia D da Leitura no CEMIL Santa Rita de Cássia

Olá. Prometo ser breve pois sei que o que vocês querem é ver as apresentações dos seus colegas. Nós da filosofia gostamos de questionar o sentido das coisas. Portanto começo por questionar qual o sentido disso? Um questionamento que sei que vocês também fizeram. Por que se dedicar ao estudo de um continente especificamente? Por que é obrigatório o ensino da História da África e cultura Afro-brasileira? Para muitos de vocês, projetos como esse são uma oportunidade para fugir de uma aula chata. Outros pela competição entre as turmas (todos querem ser os melhores). Mas para nós há uma intencionalidade pedagógica fundamentada numa educação antirracista - que busca uma mudança de paradigma - a construção de uma sociedade onde como disse Bob Marley - a cor da pele não seja mais importante que o brilho dos olhos. Queremos uma sociedade sem racismo. Temos consciência de que essa mudança de paradigma não ocorrerá do dia para noite. Mas por meio de um processo onde a educação tem um papel importante. Muitas vezes observamos atitudes racistas transvestidas de brincadeira no ambiente escolar. Não podemos aceitar. Aqui é importante lembrarmos do que diz Angela Davis de que numa sociedade racista (e a escola está incluída aí) não basta não ser racista. É preciso ser antirracista. Ou seja, no nosso cotidiano não podemos aceitar atitudes racistas. Devemos levantar nossa voz contra. Pois se não estaremos sendo cúmplices. Estaremos contribuindo para sua manutenção. O ponto de partida na construção de um novo paradigma é mudarmos a nós mesmos. Mudar nossas atitudes. Caminhando para o final dessa minha breve fala. Vocês viram o quanto a África é diversa e rica? Deem uma olhada depois nas outras salas - saia da sua embaixada e visite as demais. É uma realidade completamente oposta ao que nos ensinaram por muito tempo. Queria concluir dizendo que a África não está distante de nós. Ela está em todos nós. No nosso DNA - independente da nossa cor. Uma pesquisa (DNA Brasil) da USP aponta que somos o país com a maior diversidade genética do mundo. E parte significativa dessa genética vem da África. Enfim, chega de discurso e vamos às apresentações. Antes para concluir cito a filósofa estadunidense bell hooks: “Todos os nossos silêncios diante da agressão racista são atos de cumplicidade”. Por isso digo, não ao racismo.

Pedro Ferreira Nunes - Mestre em Filosofia, Especialista em Filosofia e Direitos Humanos e Graduado em Filosofia. Atualmente ocupa a Coordenação da Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas do CEMIL Santa Rita de Cássia.

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