sábado, 5 de setembro de 2026

Conto: Paixão proibida

De todas as mulheres dessa cidade por que fui logo me apaixonar por ela?! Mas como eu poderia resistir aquela boca, aquele sorriso, aquele olhar. Foda-se se era casada. Valia a pena viver perigosamente ao lado dela. Dizem que os frutos proibidos são mais gostosos. Não sei, não. Não era nada agradável pensar que a qualquer momento poderíamos ser surpreendidos pelo marido dela. E conhecendo lhe a fama. Provavelmente não estaria aqui contando essa experiência.

Eu juro que tentava resistir. Prometia para mim mesmo que não sairia com ela novamente. Mas quando ela surgia com aquele olhar diante de mim. Não conseguia mais pensar em nada se não em tê-la nos meus braços. E assim nos entregavamos a paixão dos nossos corpos. Depois como se depertassemos de um transe nos despediamos como se tivesse sido a última vez. Mas o fato é que não conseguíamos ficar muito tempo longe um do outro.

Não que ela me amasse, não tinha ilusão quanto a isso. Ela queria apenas viver uma aventura fora do casamento. Se não fosse comigo, seria com outro. Para minha sorte, ou azar, não sei, foi comigo.

Por mais que fôssemos discretos, havia comentários. E se esses comentários chegasse ao ouvido do marido dela, ele certamente pensaria: - onde há fumaça. Há fogo. E iria investigar. Isso nos deixava mais cautelosos ainda. Ficávamos um período distante um do outro, mas acabavamos nos encontrando. E quando nos encontrávamos, acabavamos na cama.

No meu quarto, alta madrugada, sob a luz do cigarro dela. No toca discos Janis Joplin ou Amy Winehouse. Ninguém ousaria imaginar o que estava acontecendo naquela casa onde não existia muito movimento (onde vivia um ser um tanto solitário). Pelo menos era isso que achávamos. Ledo engano. Afinal de contas como dizem por essas bandas: - as paredes tem ouvidos.

Quando nos afastavamos eu procurava em outros corpos encontrar o prazer que tinha com ela. Mas ninguém chegava aos pés daquela mulher. Pelo contrário. Meu esforço para me afastar dela, acabava me tornando mais dependente dela. Estaria eu condenado aquela relação perigosa da qual o único fim possível era uma tragédia? Ora, por que diabos, com tantas mulheres nessa cidade fui logo me apaixonar por aquela. Mas também nenhuma das outras fazia o me coração bater acelerado como a bateria do Motorhead. Enquanto isso vou vivendo essa paixão proibida.

Pedro Ferreira Nunes – Um rapaz latino-americano que gosta de ler, escrever, correr e ouvir Rock in roll. 

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