Daniel entra no bar e pede ao garçom uma dose de conhaque. Seu olhar mostra uma profunda tristeza. Ana Maria enfim cumpriu a promessa de nunca mais procurá-lo. Ele por sua vez também não a procurou. E desde então as noites passaram a ser difíceis de serem suportadas por ele. Só mesmo na companhia de uma garrafa de conhaque e de cigarros e mais cigarros de tabaco da veiá.
Em um canto do bar, um grupo de amigos que tomavam cerveja e conversavam alegremente não puderam deixar de notar o estado de espírito de Daniel. O que não era nenhuma novidade por ali, pelo menos no último período.
- Esse daí tá só a ‘capa da gaita’.
- Só os ‘loro’.
- Trocou o certo pelo duvidoso, acabou assim.
- Se ele não parar com essa cachaçada e esse porronca veí, vai morrer logo, logo.
- O que foi mesmo com ele?
- Mulher meu amigo, mulher meu amigo. Isso acaba com qualquer um.
- Isso mesmo. O trem é bom, mas é muito complicado.
- Mas foi vacilo dele. Largar a Soraia uma menina bonita, inteligente e direita. Por uma louca que vive nos braços de um e de outro como a Ana Maria.
- Aí acabou nisso.
- Pois é.
- É, tem umas mulheres que viram a cabeça de um homem que ele fica doidim.
- Foi o que a Ana Maria fez com esse miserável.
- E pelo estilo de vida que ele está levando não vai demorar muito em morrer ou de cirrose ou de câncer de pulmão.
- Acho é pouco. Ele tá pagando o que fez com a Soraia.
- Falar nisso. Ele fez foi um favor em terminar com a Soraia. Hoje ela tá muito feliz com o marido dela. Já imaginou se ela casasse com esse imprestável?!
- E não é?! A Soraia tirou a sorte grande. Conheceu um homem direito que trata ela como rainha.
- Já esse aí não tem onde cair morto.
- E a Ana Maria também tá podendo. Ouvi dizer que ela tá enrolada com um velho podre de rico que dá tudo pra ela.
- É mesmo? Quer dizer que o Daniel se fodeu. Não ficou com nem uma e nem outra. Disseram todos caindo na gaitada.
- Atenção pessoal. Já vamos fechar o bar. Gritou o dono do bar.
- Me vê uma garrafa de conhaque aí meu. Pediu Daniel que já quase não conseguia manter-se de pé. E em seguida emendou: – toca aquela música de novo.
- Qual?
- Aquela do Zé Geraldo.
- Blues do municipal?
- Isso mesmo.
- De novo?
- A última vez, meu.
“Não aguento mais gostar de você assim, vou me afogar quando abrir os botequins.’’
E assim partiu o pobre Daniel – com uma garrafa de conhaque, mal conseguindo caminhar de tão bêbado que estava e cantando a bela canção do Zé Geraldo.
“Não aguento mais gostar de você assim, vou me afogar quando abrir os botequins.’’
Por Pedro Ferreira Nunes – um rapaz latino americano que gosta de ler, escrever, correr e ouvir Rock in Roll.

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