sábado, 25 de abril de 2026

Conversas na Madrugada: Daniel, Soraia e Ana Maria

Daniel entra no bar e pede ao garçom uma dose de conhaque. Seu olhar mostra uma profunda tristeza. Ana Maria enfim cumpriu a promessa de nunca mais procurá-lo. Ele por sua vez também não a procurou. E desde então as noites passaram a ser difíceis de serem suportadas por ele. Só mesmo na companhia de uma garrafa de conhaque e de cigarros e mais cigarros de tabaco da veiá.

Em um canto do bar, um grupo de amigos que tomavam cerveja e conversavam alegremente não puderam deixar de notar o estado de espírito de Daniel. O que não era nenhuma novidade por ali, pelo menos no último período.

- Esse daí tá só a ‘capa da gaita’.

- Só os ‘loro’.

- Trocou o certo pelo duvidoso, acabou assim.

- Se ele não parar com essa cachaçada e esse porronca veí, vai morrer logo, logo.

- O que foi mesmo com ele?

- Mulher meu amigo, mulher meu amigo. Isso acaba com qualquer um.

- Isso mesmo. O trem é bom, mas é muito complicado.

- Mas foi vacilo dele. Largar a Soraia uma menina bonita, inteligente e direita. Por uma louca que vive nos braços de um e de outro como a Ana Maria.

- Aí acabou nisso.

- Pois é.

- É, tem umas mulheres que viram a cabeça de um homem que ele fica doidim.

- Foi o que a Ana Maria fez com esse miserável.

- E pelo estilo de vida que ele está levando não vai demorar muito em morrer ou de cirrose ou de câncer de pulmão.

- Acho é pouco. Ele tá pagando o que fez com a Soraia.

- Falar nisso. Ele fez foi um favor em terminar com a Soraia. Hoje ela tá muito feliz com o marido dela. Já imaginou se ela casasse com esse imprestável?!

- E não é?! A Soraia tirou a sorte grande. Conheceu um homem direito que trata ela como rainha.

- Já esse aí não tem onde cair morto.

- E a Ana Maria também tá podendo. Ouvi dizer que ela tá enrolada com um velho podre de rico que dá tudo pra ela.

- É mesmo? Quer dizer que o Daniel se fodeu. Não ficou com nem uma e nem outra. Disseram todos caindo na gaitada.

- Atenção pessoal. Já vamos fechar o bar. Gritou o dono do bar.

- Me vê uma garrafa de conhaque aí meu. Pediu Daniel que já quase não conseguia manter-se de pé. E em seguida emendou: – toca aquela música de novo.

- Qual?

- Aquela do Zé Geraldo. 

- Blues do municipal?

- Isso mesmo.

- De novo?

- A última vez, meu.

“Não aguento mais gostar de você assim, vou me afogar quando abrir os botequins.’’

E assim partiu o pobre Daniel – com uma garrafa de conhaque, mal conseguindo caminhar de tão bêbado que estava e cantando a bela canção do Zé Geraldo.

“Não aguento mais gostar de você assim, vou me afogar quando abrir os botequins.’’

Por Pedro Ferreira Nunes – um rapaz latino americano que gosta de ler, escrever, correr e ouvir Rock in Roll.

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