É importante lembrar que entre 2024 e 2025 o governo deu posse para milhares de concursados aprovados no certame de 2023. Anteriormente a isso o governo pagou as progressões atrasadas reivindicadas pelos professores há anos. Construiu novas escolas e reformou outras tantas. Ampliou as escolas de tempo integral. Investiu em tecnologia adquirindo equipamentos tanto para professores como para os estudantes. Manteve uma política de formação continuada (com foco no IDEB) e valorização da carreira com a elaboração e aprovação de um novo PCCR (Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração), gratificação e premiação das boas práticas (Prêmio Escola que Transforma). Não menos importante foi o avanço de uma política de permanência estudantil com o presente, prof e o pé de meia (programa do governo federal). Diante disso uma pergunta se impõe: porque essa política de valorização da educação não refletiu num avanço significativo do IDEB no Tocantins?
Ora, um avanço significativo na qualidade da educação não se dá de uma hora para outra (de um ano para o outro). Da mesma forma os retrocessos. Peguemos, por exemplo, o resultado do município de Palmas que teve um recuo significativo. Alguns críticos se apressaram em colocar na conta da gestão do atual Prefeito (Eduardo Siqueira Campos) a responsabilidade pelo “fracasso”. Em que pese a péssima gestão em curso (não só na educação) colocar unicamente na conta do Eduardo é desonestidade. O IDEB não é reflexo de 01 ano de gestão. Pensei comigo ao ouvir algumas críticas - se o que foi construído ao longo de vários anos caiu tão rapidamente, então o que foi construído não era tão sólido assim. Eu chamo esse tipo de crítica seletiva de oportunista. Por que ela não vai a raiz do problema. Serve apenas como arma para atacar adversários políticos. Ainda mais no contexto em que estamos de disputa eleitoral.
Partamos do pressuposto de que o IDEB reflete exatamente o que são as escolas (o que nós que estamos em sala de aula de uma escola pública sabemos que não). Por que não avançamos? Segue algumas hipóteses:
- A política educacional é planejada de cima para baixo sem a participação efetiva de quem está em sala de aula;
- O planejamento não leva em consideração a diversidade e especificidade de cada comunidade escolar;
- Os professores são meros executores de um programa comprado de uma empresa privada (Soluções Modernas);
- Excesso de burocracia tomando um precioso tempo do professor para que possa planejar e dar aulas;
- Excesso de projetos no ambiente escolar;
- Foco excessivo em Língua Portuguesa e Matemática;
Não é meu objetivo aqui fazer um estudo aprofundado. De modo que não irei destrinchar todas essas hipóteses. Deixo portanto como pontos para reflexão se quisermos começar a discutir seriamente esse problema. No entanto vou tecer algumas palavras a respeito da primeira hipótese (a política educacional é planejada de cima para baixo sem a participação efetiva de quem está em sala de aula) por que acredito que a partir dela derivam as demais. Um grupo de “iluminados” elaboram a política que deve ser implantada por todas as escolas - uma política que se materializa por meio de uma burocracia que não raramente leva ao adoecimento de quem está em sala de aula. Quando o resultado estabelecido não é alcançado adivinhem quem é o culpado? Lembro aqui das palavras do educador José Pacheco numa entrevista para a Revista Educação - “Enquanto a burocracia prevalecer em detrimento da pedagogia, os professores continuarão a ser considerados os ‘bodes expiatórios’ dos males do sistema.” Por enquanto não vemos uma perspectiva de mudança. Sobretudo porque não percebemos uma preocupação genuína por parte de quem comanda a educação em mudar essa realidade. E nem dos que estão no chão da escola em se rebelar.
Pedro Ferreira Nunes - Graduado em Filosofia (UFT). Especialista em Filosofia e Direitos Humanos (UNIFAVENI). Mestre em Filosofia (UFT). Atua como Professor na Rede Pública Estadual de Ensino do Tocantins.

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