quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Eleições de 2026 no Tocantins: As pesquisas e as disputas

Comecemos por falar das famigeradas pesquisas eleitorais. Cada vez que é divulgada gera toda uma discussão. Até que ponto podemos confiar no quadro apresentado? Sobretudo porque o histórico é mais ou menos das previsões meteorológicas nos seus primórdios. Óbvio que quem está na frente na pesquisa divulgada vai aproveitar para fazer aquela mídia e, quem sabe, conquistar votos indecisos. Já quem está atrás ignora na esperança de que surja alguma que lhe favoreça.

Como pode pesquisas realizadas no mesmo período, no mesmo território chegar a resultados distintos? Será se são feitas com rigor científico ou de acordo com o gosto do cliente? Há que se levar em consideração que o objeto em análise é o ser humano que não é estático como uma pedra. Por isso é importante, para quem quiser fazer uma análise séria da conjuntura, observar todos os dados que a pesquisa fornece. Sobretudo aqueles que não são importantes à primeira vista. Nessa linha quanto às pesquisas feitas no Tocantins observamos algo que os analistas políticos não levaram em consideração e que na minha visão é importante - a distância entre o primeiro e o segundo colocado. As pesquisas divulgadas têm divergido quanto a quem está na frente da disputa, mas em relação à distância de um para outro não. Logo podemos afirmar que por mais questionáveis que sejam as pesquisas. Elas apontam para um inevitável 2º turno. Já havíamos falado dessa possibilidade durante a pré-campanha. Mas agora esse cenário parece irreversível. Parece também que não há espaço para uma terceira via, tanto ao governo estadual quanto ao federal. Já em relação à disputa pelo senado, que necessariamente será decidida no primeiro turno, o questionamento é saber quem se beneficiará com uma disputa entre tantas candidaturas competitivas - temos, por enquanto, uma disputa totalmente em aberto.

Diante de tudo isso, o cenário é o seguinte: teremos um resultado apertado tanto na corrida pelas duas cadeiras em disputa ao Senado, ao Governo Estadual e à Presidência da República. E é com esse cenário que a campanha tem tomado as ruas com os candidatos buscando unir o máximo de gente possível para mostrar força e atrair os indecisos. No interior, a estratégia mais vitoriosa é obter o apoio de quem está na Prefeitura e Câmaras de Vereadores - estes com toda a sua influência política garantiram não apenas um palanque, mas também muitos votos. Como contrapartida, esses líderes municipais terão apoios nas eleições municipais que ocorrerão futuramente. Na capital também não é tão diferente. O prefeito Eduardo Siqueira Campos já deixou claro que será candidato à reeleição e certamente espera contar com o apoio daqueles que está apoiando.

No Tocantins os dois candidatos que polarizam a disputa ao Governo do Estado, Dorinha e Vicentinho, têm focado suas campanhas em apresentar propostas para os problemas regionais, sobretudo com foco na melhoria dos serviços públicos (saúde, educação, segurança pública, melhoria da infraestrutura e valorização salarial dos servidores). Evitam claramente se posicionar em relação à disputa nacional. Talvez sejam obrigados num segundo turno. Laurez, que não tem muito a perder, aposta numa ligação com a candidatura do Presidente Lula à reeleição, mesmo sendo de um partido que tem a candidatura do Ronaldo Caiado (PSD). No entanto, historicamente, o Tocantinense e o brasileiro no geral não seguem uma lógica partidária ou ideológica na hora de votar. Votam num deputado estadual de uma coligação, num deputado federal de outra, num senador de outra e daí por diante. O que o move, no geral, é o pragmatismo político. 

Em relação a disputa nacional o Partido dos Trabalhadores (PT) tem conseguido levar a melhor nas disputas eleitorais no Tocantins, mesmo quando o candidato do partido não era o Lula. E o que as pesquisas apontam na atual conjuntura é de que não será diferente. No entanto nos grandes municípios a tendência é outra. Diante disso, essa vantagem não será tão grande. E não refletirá na eleição de candidatos petistas ao parlamento estadual e federal. No entanto, há uma novidade esse ano que devemos avaliar depois a sua efetividade - o movimento capitaneado pela Kátia Abreu - responsável por coordenar a campanha à reeleição do candidato petista à presidência da república. O candidato bolsonarista por sua vez se apoia nas igrejas evangélicas que tem uma influência considerável na política tocantinense - uma influência crescente.

O papel de coordenadora da campanha à reeleição do Presidente Lula dá a oportunidade da Kátia Abreu a voltar a ter alguma relevância na política estadual. Caso o presidente seja reeleito é de se imaginar que ela pessoalmente, mais do que o próprio PT, será a grande vitoriosa. Tendo um papel importante na indicação de nomes para os cargos nos órgãos federais no Tocantins. E inclusive podendo assumir alguma função na esfera federal. 

Concluímos ressaltando que quanto mais próximo chegarmos da eleição mais tensionado ficará a disputa. Já observamos alguns ataques diretos entre as partidas em contenda. Sem falar do espectro da corrupção que é uma ameaça permanente. A bola da vez é o caso do banco master. Em que medida esse escândalo poderá impactar campanhas de norte a sul do Brasil? Aguardemos.

Pedro Ferreira Nunes - Graduado em Filosofia (UFT). Especialista em Filosofia e Direitos Humanos (UNIFAVENI). Mestre em Filosofia (UFT). Atua como Professor na Rede Pública Estadual de Ensino do Tocantins.

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