quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Repressão ou Educação: Critica a ação da policia ambiental na cidade de Lajeado no combate a pesca.

Não raramente a policia ambiental tem feito apreensões e aplicado multas em pessoas que cometem crimes ambientais em Lajeado, sobretudo pescadores que não respeitam o período da piracema, ou que ultrapassam os limites proibidos para pesca – próximo à usina hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães. No entanto essas ações não tem inibido a população ribeirinha, pelo contrario, a quantidade de pessoas que buscam o rio para pescar é cada vez maior. E por mais que tenta a policia ambiental não consegue dá conta de combater a pesca ilegal. Não dá conta, sobretudo pela forma com que os agentes ambientais têm atuado – utilizando-se da repressão em vez da educação. Se essa lógica não mudar, a ação da policia ambiental continuará sendo ineficaz como tem sido.

Pescador é um aliado na preservação ambiental e não um inimigo!

Não é difícil encontrar um ribeirinho que não tenha alguma queixa da forma com que é abordado pela policia ambiental. Além de perderem o pescado, o material de pesca e de serem multados, não raramente são algemados e levados presos para delegacia. Inclusive já houve episodio em que pescadores foram baleados pela policia ambiental. Mas isso não impede que voltem a pescar – não pelo prazer de cometerem crimes, mas pelo fato de que a pesca é a única fonte de sobrevivência para grande parte da população ribeirinha. Logo, não é criminalizando a pesca e a caça que este problema será resolvido, pelo contrário, é preciso conscientizar a população da necessidade de preservação da fauna e da flora local, é preciso fazer dos ribeirinhos aliados e não inimigos. Pois afinal de conta eles são os principais beneficiados com a conservação do meio ambiente.

Todas as experiências bem sucedidas de preservação ambiental no Brasil tem em comum o fato de terem transformado a população ribeirinha em agentes ambientais. E tal processo se deu através da conscientização, da educação ambiental e não da repressão. É preciso compreender que a maioria das famílias que buscam o rio – de onde tiram o sustento do dia a dia. Não o fazem por querer, mas pela falta de alternativa. Por que não existe outra fonte de sustento na região se não a pesca – é por causa da pesca que muita gente não passa fome em Lajeado e região. E já que nem todos tem acesso ao beneficio do seguro-defeso, acabam pescando em período proibido e em área de risco.Situação que tende á agravar devido à diminuição do número de beneficiários do seguro-defeso e o desemprego crescente. Mas também a solução desse problema passa pela necessidade do poder público oferecer alternativas para que os ribeirinhos possam ter outras fontes de sobrevivência. Se isso não acontecer o governo vai continuar fingindo que combate o crime ambiental, á policia ambiental continuará atuando sem nenhuma ineficácia e os ribeirinhos vão continuar driblando a fiscalização para por o pão de cada dia na mesa da sua família.


Pedro Ferreira Nunes – É Educador Popular e militante do Coletivo José Porfírio.

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