2- Quem ganhou o primeiro turno hipoteticamente sai na frente no segundo turno. Mas isso não significa que a vitória está garantida. Sobretudo quando a distância não é inalcançável. Ainda mais levando em consideração os dados do primeiro turno como abstenções e votos em branco. Quando esse número é significativo, quem está atrás deve ter esse eleitorado como foco. Sobretudo porque é extremamente difícil virar voto (Isso vale especialmente para a disputa pela presidência da república);
3- Na disputa regional percebemos uma movimentação no sentido de buscar apoios de líderes políticos e parlamentares eleitos. Nesse sentido Dorinha não perdeu tempo em assumir, aquilo que omitira no primeiro turno - o apoio a candidatura de Flávio Bolsonaro - que teve uma vantagem significativa em relação ao Lula no Tocantins, sobretudo nos grandes municípios. Vicentinho, preterido por Flávio, mirou em nomes descontentes do grupo de Dorinha após o resultado do primeiro turno. Esse foi o caso por exemplo do Eli Borges - que mesmo não sendo eleito teve uma votação expressiva para o senado;
4- Na disputa nacional o movimento tem sido distinto entre os dois nomes que estão na disputa. Lula tem focado nos indecisos e naqueles que não foram votar no primeiro turno, que segundo pesquisas a maioria tende a votar no candidato petista. Flávio por sua vez busca manter a vantagem do primeiro turno - ampliando-a a partir da adesão de partidos do centro e a bancada de extrema direita eleita para o congresso nacional;
5- Qual estratégia se sagrará vitoriosa eleitoralmente? Não cometerei o erro de alguns comentaristas políticos que buscam adivinhar o resultado. Por outro lado, não tem como irmos contra o que a realidade nos fornece. E o que a realidade tem nos revelado é que há por parte do eleitorado um sentimento de mudança. E quem tem incorporado esse sentimento de mudança é Vicentinho a nível regional e Flávio a nível nacional.
6- Não há capacidade crítica por parte do eleitorado de entender que nem toda mudança é para melhor.
7 - A nível nacional é até justificável o sentimento de mudança. Ao longo do atual mandato, Lula teve que lidar com um índice de reprovação maior do que o de aprovação. Sem falar no seu desgaste como líder que está na vida pública há décadas - estando no seu terceiro mandato e buscando um quarto. Apesar de muitos anos na vida pública, Flávio é jovem, e com a força do capital político do seu pai (Jair Bolsonaro) tornou-se uma alternativa real para milhares de pessoas que acreditam que o Lula já deu o que tinha que dar.
8- A nível regional esse sentimento de mudança não nos parece justificável. O governador Wanderlei Barbosa, que é o principal cabo eleitoral de Dorinha, tem um mandato à frente do executivo estadual com uma aprovação maior que a rejeição. Logo uma candidatura que se apresenta como continuidade a uma gestão bem avaliada deveria ser a favorita, não?! Me parece que há um elemento aí que ninguém está observando, sobretudo com as adesões à candidatura do Vicentinho após o resultado do primeiro turno.
09- Dorinha e Vicentinho são do mesmo espectro político - ambos se declaram de direita. Ambos dizem apoiar e votar em Flávio Bolsonaro. O programa de governo de ambos é praticamente o mesmo. Ambos nunca exerceram o cargo de governador/governadora. Qual a diferença então? Porque há um movimento não só por parte do eleitorado mas de lideranças políticas e parlamentares, inclusive nomes que foram eleitos no primeiro turno na chapa da Dorinha rumo a candidatura do Vicentinho? Isso me cheira a machismo.
10- Ao observar todo esse movimento lembrei de um comentário que uma colega fez ainda no início da campanha. Ela disse que se a eleição fosse para o segundo turno todos esses homens se uniriam e não deixariam a Dorinha ganhar. Não dei muito crédito a essa declaração pois com a força do governo Wanderlei via o favoritismo da senadora mesmo com um segundo turno. Mas um colega esses dias me levantou o questionamento: E se o próprio Wanderlei estiver contribuindo para a vitória do Vicentinho?
11- Para concluir, estamos a poucos dias das eleições. Essa é a eleição mais importante desde a redemocratização, sobretudo no que diz respeito ao embate nacional. Não escondo o meu posicionamento em defesa do Estado democrático de direito e de condições dignas de vida para todos. Por isso vou de Lula (13). Quanto ao contexto regional se votar na Dorinha (44) significa ir contra o machismo, ainda que ela seja de direita, que seja então.
Pedro Ferreira Nunes - Mestre em Filosofia (UFT). Atua como Professor na Rede Pública Estadual de Ensino do Tocantins.

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