Noites interioranas
Lembranças de tempos atrás.
Noites interioranas
Tempos que não voltam mais.
Lembranças de tempos atrás.
Noites interioranas
Tempos que não voltam mais.
Seu Disomo prepara as tralhas
E vai para o rio pescar.
É noite enluarada
Os “moelas” vão passar.
Dona Eurides no girau
Prepara o que comer.
Curimatá fresquinha
Frita no óleo de dendê.
Dona Caetana na vazante
Alegre colhe feijão.
A colheita tá sendo boa
Melhor que no ultimo verão.
O Bida preparou a bucheira
Foi esperar cotia.
Lá no brejo do Anísio
Só volta no fim do dia.
Seu Josias subiu pros mares
Atrás dos cardumes de jaús.
Na pescaria passada
Não pegou nem baiacu.
Ei que lá vem dona Julia
Caminhando com seu bastão.
Trazendo na sua sacola
Estórias de assombração.
Seu Raimundo passou aqui
Trouxe doce de buriti.
Pense num doce gostoso
Como esse nunca vi.
Vamos brincar no terreiro
A lua tá tão bonita.
Pegar manga de leite
No quintal da Tia Dica.
Quando raiar o dia
Vamos pra casa da Tia Gaida.
Aprender o ABC
Para ser alguém na vida.
Já tá chegando agosto
É mês da padroeira.
Vai ter festa na cidade
E o forró é de primeira.
A caboclada se agita
Desce lá paro mercadão.
Comprar roupas novas
Para festa no sertão.
O sanfoneiro é de primeira
Vem das bandas das pedreiras.
Quando ele abre o fole
Dança a cidade inteira.
Abre o fole sanfoneiro
Que o povo que dançar.
Essa festa só acaba
Quando o dia raiar.
E assim segue a vida
Nesse nosso interior.
Vida de muito trabalho
Mas também de muito amor.
Nesse nosso interior.
Vida de muito trabalho
Mas também de muito amor.
Segue a vida e alguns se vão
Só nos restam as lembranças.
Da minha mocidade
Do meu tempo de criança.
Lembranças daqueles
Que aqui já não estão.
Hoje descansam em paz
Sementes plantadas ao chão.
Pedro Ferreira Nunes. Casa da Maria Lúcia. Lajeado-TO.
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