terça-feira, 25 de novembro de 2025
- O que tu fizeste da vida? - O que nos tornamos!
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
Conhecendo o Santa Rita: Educação Antirracista entre os muros da Escola.
Entre as atividades desenvolvidas pelo Cemil Santa Rita de Cássia está o podcast. Por tanto comecemos por ele. É importante esclarecer que não partiu de nós a sua confecção. Mas da organização da Olimpíada Brasileira de Relações Étnicos-Raciais, Afro-Brasileiras, Africanas e Indígenas (OBERERI) que estabeleceu em edital que a última tarefa para as equipes de ensino médio seria a produção de um podcast. No entanto partiu de nós inscrever e orientar uma equipe na competição.
Anteriormente eles fizeram mais duas tarefas: pensar um projeto sustentável para uma comunidade tradicional no território amazônico afetada por uma crise hídrica. E responder um quiz sobre a temática Africana, Afro-Brasileira e Indígena.
Ressaltando a fala da equipe de estudantes que participaram da OBERERI foi uma experiência enriquecedora que certamente contribuiu para mudança de olhar deles acerca dessa temática.
Desde que ingressei na educação básica como docente tenho procurado trabalhar uma educação numa perspectiva antirracista (Que na minha compreensão está dentro da educação em direitos humanos). Não só desenvolvendo ações em datas específicas como o dia dos povos indígenas e na consciência negra. Mas também no cotidiano da sala de aula. No entanto nesse ano de 2025 é certamente o ano em que mais consegui avançar nesse sentido. A política da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC-TO) incentivando práticas antirracista nas unidades escolares da rede pública certamente contribuiu para que isso pudesse se concretizar.
É isso que busquei trazer durante a minha participação no podcast (conhecendo o Santa Rita ).
Ao definir o que é educação antirracista - como um conjunto de práticas pedagógicas de enfrentamento ao racismo. E a partir daí contribuir com a construção de uma cultura de respeito à dignidade humana do povo negro. Fizemos um relato do que desenvolvemos enquanto escola no decorrer do ano. Entre as ações destacamos a leitura e discussão de autores negros e indígenas. E uma ampla discussão e mobilização para atualização da autodeclaração étnico-racial dos estudantes.
Nas minhas aulas especificamente continuei o movimento de trazer para as aulas de Filosofia textos da bell hooks, Ailton Krenak, Djamila Ribeiro, Angela Davis e Sueli Carneiro. Por coincidência dois desses filósofos (Carneiro e Krenak) caíram na etapa regional e na etapa nacional da Olimpíada de Filosofia (ONFIL). E pelo conhecimento desses pensadores, a partir do que havíamos trabalhado, o nosso representante optou por elaborar um ensaio filosófico sobre a problemática apresentada por eles.
Por tudo que desenvolvemos esse ano ouso dizer que não teremos dificuldade de obtermos o reconhecimento tanto por parte da SEDUC-TO como pela OBERERI, de Escola Antirracista. No entanto temos plena consciência de que ainda temos muito a avançar. Não podemos aceitar com naturalidade, ficar em silêncio ou pior, relevar atitude racista travestida de brincadeiras. Por outro lado não acreditamos que o caminho é a lógica punitivista. Enquanto Educador acredito na educação como instrumento de transformação. De modo que no ambiente escolar devemos buscar estratégias pedagógicas para mudar a cultura racista. Não é fácil. Não será da noite para o dia. Mas não podemos e nem iremos recuar.
Pedro Ferreira Nunes - Mestre em Filosofia (UFT) e Professor no CEMIL Santa Rita de Cássia.
sábado, 15 de novembro de 2025
Sobre leituras
Leio de tudo, com exceção de autoajuda e de livros de religião. A formação em Filosofia me levou a leituras mais densas. Mas mesmo antes já me interessava por coisas assim. Lembro de quando li Assim falou Zaratustra, do Nietzsche, pela primeira vez. Não entendi muita coisa. Isso que já havia lido umas três ou quatro obra desse filósofo (antes de ingressar na graduação em Filosofia). Creio que era mais o estilo e o exercício de criticidade que me atraía. Ainda mais pelo fato de que no ensino médio as leituras que mais me marcaram fora: Vidas Secas (Graciliano Ramos) e Memórias Póstumas de Braz Cubas (Machado de Assis). No entanto mesmo com toda essa carga acumulada ao longo dos anos não significa que absorvo facilmente qualquer leitura. Pelo contrário.
Fiz questão de ressaltar isso para um estudante que eu estava orientando para Olimpíada Nacional de Filosofia (ONFIL). Passei para ele interpretar um trecho de texto de Filosofia. E ao contrário de outros textos, esse ele estava tendo dificuldade. Quando já estava querendo desisti busquei tranquiliza-lo trazendo o meu exemplo.
Por muito tempo evitei ler o Capital, do Karl Marx. Falavam tanto que se tratava de um livro de difícil compreensão que evitei até que me senti preparado. O fato de ter lido outras obras do Marx antes, além de leituras sobre ele e seu método contribuiu para que a leitura do O Capital fosse compreensível.
Recentemente finalizei uma dessas leituras densas que a cada página você parece compreender menos. Tratou-se do livro Dar corpo ao impossível: O sentido da dialética a partir de Theodor Adorno. Escrito pelo filósofo brasileiro Vladimir Safatle.
Safatle é para mim uma das principais referências intelectuais brasileira na contemporaneidade. Sempre leio os seus artigos em periódicos como também assisto sua participação em eventos disponíveis na Internet, em podcasts entre outros. Gosto muito da leitura que ele faz da realidade brasileira. No geral são textos acessíveis para o grande público. E nessa linha ele publicou um livro muito bom na minha avaliação - Alfabeto das colisões (que inclusive já escrevi sobre). Além dessa produção acessível, ele tem uma produção mais voltado para academia. Dessa produção a minha leitura é pouca. Já havia lido trechos do Circuito dos afetos que utilizei como referência num artigo de conclusão de minha pós-graduação em Filosofia e Direitos Humanos. Mas foi com a leitura de "Dar corpo ao impossível..." que entrei em contato de forma mais aprofundada com essa produção.
Lembro que adquiri o livro em 2022, comecei lê-lo em 2023. Não avancei muito. Desisti. Tentei em 2024, não avancei muito. Desisti novamente. Agora em 2025 tentei novamente e consegui concluir. Parafraseando o próprio Safatle num podcast em que ele fala do seu tempo de estudante de filosofia e da dificuldade em compreender algumas aulas. Não entendi muito coisa. Mas o pouco que entendi deu pra perceber que há muito coisa interessante.
Como pode ser deduzido a partir do título do livro o objetivo do Safatle é investigar a dialética negativa do Theodor Adorno propondo uma reflexão sobre sua relevância no contexto atual. Para tanto ele apresenta como essa dialética foi sendo desenvolvida pontuando sua diferença com outras perspectivas, por exemplo a Hegeliana. E analisando as críticas feitas à ela. Concluindo trazendo para a realidade brasileira.
No primeiro momento a obra é bastante teórica. E a cada página que avançamos na leitura ficamos com a sensação de que não estamos assimilando muita coisa. Safatle vai relacionando com outros pensadores tais como Hegel, Marx, Freud. Entre outros. A ideia dele creio que é mostrar que para compreendermos a dialética negativa do Adorno precisamos conhecer minimamente essas outras perspectivas. Além desses há outros autores que ele vai trazendo para conversa hora corroborando, hora rechaçando. No entanto Safatle faz um movimento que torna a leitura mais acessível - ele parte do geral para o particular. Do abstrato para o concreto. Termina falando sobre o Brasil trazendo para conversa filósofos como Paulo Arantes e Bento Prado Jr. fazendo um diálogo com a literatura, sobretudo Grande Sertão: veredas, do Guimarães Rosa e assim saímos da leitura com a ideia de ter compreendido o principal - a dialética negativa Adorniana continua relevante para quem acredita na superação do que está posto. Será se é isso mesmo? Foi o que compreendi.
Seguindo para uma conclusão eu diria que Dar corpo ao impossível é uma obra potente. Mas não é para o grande público. Eu diria que nem para um estudante que ainda está na graduação em Filosofia, por exemplo. Em outros cursos então nem se fala. Já para quem está num nível de mestrado e doutorado, e quer compreender como se pensa dialeticamente eis ai uma obra fundamental. Concluo falando que ler bem é um exercício constante. As vezes vamos encontrar aquele livro que a leitura parece incompreensível. Nesse momento é importante dar um recuo e se preparar mais para encará-lo. Isso já aconteceu comigo algumas vezes e sei que outras virão. Mas querendo a gente consegue. Basta ter disposição para ler, ler e ler. Pois não há receita melhor do que isso para dominarmos a leitura.
Pedro Ferreira Nunes - Mestre em Filosofia (UFT) e Professor na Rede Pública Estadual de Ensino do Tocantins.
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
Crônicas Aurenyanas: - a mulher sábia edifica a casa?
Por Pedro Ferreira Nunes - Apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
“Quando eu falava desses homens sórdidos… você não escutou…”
Do seu Pedro
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
Ensaio literário: O coração nas trevas de Camilo
Não, aquele Camilo que trabalhava como operador de caixa de um supermercado na zona leste paulista em nada se parecia com o Camilo que tirava o sono da alta sociedade cachoeirense, o Camilo do rock, o Camilo subversivo.
Aquela figura triste, que andava sempre cabisbaixa no metrô, que não cumprimentava e nem falava com ninguém. Não tinha amizades, não se divertia – vivia apenas da casa para o trabalho e do trabalho para casa. Nada se parecia com aquele Camilo cheio de vida que sonhava ingressar na faculdade de Filosofia, se tornar um professor e mudar o mundo.
Camilo sempre foi um apaixonado pela educação, via nesta uma ferramenta de transformação social, e assim mantinha o sonho de se tornar um professor um dia. Quando ainda era estudante do ensino médio, Camilo era referência para seus colegas e professoras no Colégio em que estudava como alguém de personalidade forte e muito inteligente. Dava aula de reforço para seus colegas e auxiliava alguns professores, entre eles, Bia.
Teve a oportunidade de dar aulas na zona rural quando auxiliou um professor amigo seu. Nesta experiência Camilo percebeu a importância da educação para formação de uma consciência crítica na juventude, foi então que decidiu que queria ser um professor.
Mas assim que chegou a São Paulo a realidade que teve que encarar era muito diferente da que ele sonhara um dia. Há um ano naquela dura rotina, os sonhos de Camilo iam sendo esquecidos, era preciso encarar a realidade, ter que trabalhar duro de segunda a segunda, ganhando um mísero salário que se quer dava para ele pagar o aluguel do barracão que morava bem como para sua subsistência ali.
Camilo odiava a vida em São Paulo, odiava ter que acordar todos os dias cedo, enfrentar o transporte público caótico dali, tanto para ir como para voltar do trabalho. Às vezes pensava em jogar uma mochila nas costas e sair vagando pelo Brasil.
– Ele ficava invejando os hippies que sem nenhuma preocupação viajam por todos os cantos, conhecendo novas pessoas, novas culturas, vivendo novas experiências. Mas ele jamais teria a coragem de jogar tudo para o alto assim. Ele nunca fora um aventureiro. Aliás era um dos seus problemas, ele não se arriscava, tinha o pé por demais fixado no chão, não era capaz de dar nenhum passo antes de ter o mínimo de certeza para onde iria e o que poderia encontrar.
Camilo odiava a vida em São Paulo, mas em nenhum momento ele pensou em voltar para sua terra querida, onde ele fora tão feliz. Não, Camilo não pensava em retornar para o interior, por mais difícil que a vida era em São Paulo, ele não via perspectivas melhores voltando para Cachoeira de todos os santos.
Camilo sabia que aquele momento de trevas pelo qual estava passando uma hora seria superado. E isso só dependia dele mesmo. Ele tinha que entender e aceitar que a sua vida jamais seria novamente o que era. Camilo sabia que precisava encarar a realidade – trabalhar, trabalhar e trabalhar.
Mas também era preciso viver – se divertir, fazer novas amizades, namorar, conhecer um novo amor. Era preciso fazer as coisas da qual ele gostava, bem como buscar realizar os sonhos que sonhava.
Mas será que Camilo teria forças para isso?
sábado, 25 de outubro de 2025
Cartilha sobre educação em direitos humanos a partir do Ensino de Filosofia
A cartilha contém atividades que foram desenvolvidas no chão da sala de aula. Mas é importante salientar que sala de aula foi essa. Uma sala de aula numa escola pública (Colégio Estadual Nossa Senhora da Providência) localizada num território dentro de uma área de proteção ambiental que tem a sua história marcada pela construção de uma obra de grande impacto - uma usina hidrelétrica (Luiz Eduardo Magalhães - município de Lajeado - região central do Estado do Tocantins). Faço esse esclarecimento pelo fato de que as atividades propostas partiram da realidade em que os estudantes que fizeram parte da pesquisa estavam inseridos. Acredito que esse fator foi importante sobretudo para mudar o olhar acerca dos direitos humanos que no geral é visto como algo distante da nossa realidade. Pois só veem falar dessa temática quando a uma violação desses direitos envolvendo as forças de segurança pública numa operação policial. Daí o nosso ponto de partida não poderia ser outro senão definir o que são direitos humanos e como eles se relacionam com a ética e a política. A partir daí, tendo como objetos de conhecimento os objetivos para o desenvolvimento sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ODS - ONU), buscamos mostrar como a não garantia dos direitos sociais como educação, saúde e cultura é uma violação dos direitos humanos.
Como salientamos na apresentação da obra: “o desafio para o educador e a educadora que optar por trabalhar esse material é tê-lo como um guia norteador e não algo a ser reproduzido ao pé da letra. Um aspecto fundamental é colocar o estudante e a estudante no centro do processo. Instigando-o por meio de provocações e perguntas a olhar para um determinado problema, refletir criticamente acerca desse problema e a partir daí apontar possibilidades”.
Para dar exemplo de algumas atividades que foram desenvolvidas em sala de aula e estão na cartilha, ressaltamos a escrita criativa. Propomos que os estudantes criassem uma estória inspirada num episódio de violação dos direitos humanos ocorrido na cidade em que vivem. Para inspirá-los, disponibilizamos um trecho de um conto da região que mostra algo nesse sentido. Outra atividade proposta, ao discutir a temática da erradicação da pobreza foi a ilustração do poema: O bicho, do poeta Manoel Bandeira. Ao trabalhar a ODS - trabalho e desenvolvimento econômico propomos que fizessem entrevistas com a comunidade escolar e posteriormente a sistematização destas. Ao final propomos que fizessem uma carta para as autoridades locais com propostas para o desenvolvimento sustentável. Enfim, são muitas propostas, todas frutos do trabalho em sala de aula. Nem sempre tivemos um bom engajamento por parte dos estudantes. Nem sempre o retorno foi o esperado. Já outras nos surpreenderam. De todo modo, todas cumpriram a missão de mostrar possibilidades. E em última análise é isso que é essa cartilha - uma pequena mostra das possibilidades que temos de desenvolver a educação em direitos humanos na educação básica, sobretudo no ensino médio.
Acredito que a partir das escolhas que fizemos, e estão na cartilha, fica evidente qual perspectiva filosófica assumimos. Mas faço questão de enfatizar a nossa adesão à teoria crítica, sobretudo a partir do filósofo alemão Herbert Marcuse que defende a necessidade de restauração da crítica em oposição à racionalidade tecnológica - que é um instrumento de dominação da classe dominante na construção de uma sociedade unidimensional. Nesse contexto, a arte cumpre um papel importante. Outro filósofo que também segue essa linha é o Paulo Freire, sobretudo a sua defesa de uma educação para a emancipação. E obviamente, Karl Marx, que critica a concepção de direitos humanos burguesa que em última análise tem como objetivo garantir os privilégios da classe dominante. Com Marx dizemos que não é possível falar seriamente em direitos humanos a partir de abstrações - sem levar em conta as condições que os indivíduos estão inseridos. Seguindo essa tradição defendemos os direitos humanos não como um direito para poucos, mas sobretudo para aqueles que mais necessitam - que é a maioria das pessoas.
Gostaríamos de ver esse material disponibilizado em todas as bibliotecas escolares da rede pública de ensino. Mas não temos condição para isso. E acredito que não é de interesse dos governos um material desses. Pois o que percebemos é que há uma distância considerável entre o discurso e a prática. Ora, o que adianta reconhecer a importância da educação em direitos humanos com leis mas não dar as condições para sua efetivação? Não nos esqueçamos que o Estado é no final das contas o principal violador desses direitos, pois na sociedade capitalista está a serviço da classe dominante - que não tem nenhum interesse que as condições atuais de vida se modifiquem. É contra isso que pensamos, elaboramos e nos sublevamos.
Pedro Ferreira Nunes - Mestre em Filosofia (UFT) e Professor na Rede Pública Estadual de Ensino do Tocantins.
*Baixe gratuitamente pelo link: https://pt.slideshare.net/slideshow/cartilha-educacao-em-direitos-humanos-onde-estao-os-direitos-de-viver/284580588
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